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segunda-feira, 2 de março de 2015

Meu filho Sergio Gomes.


Um dos poemas de meu filho Sergio Gomes, cujo corpo retornou ao seio da mãe Terra dia 18 de fevereiro. Artista completo, músico, compositor, poeta, pintor, autor, deixou  uma enorme saudade em todos nós...

Navego de novo pela primeira vez

Hoje sou um veleiro...
Meu casco é branco, longelíneo
Minhas velas estão ardendo içadas
Arredondadas pelas rajadas de vento
A força pulsante e ansiosa de meu corpo de madeira
encanta as águas salgadas
e elas me convidam
incansáveis pra que eu parta do porto...
Tantos cabos e amarras me prendendo
a este berço de atracação que me foge o tempo...
Os últimos nós cedem e afrouxam – não há nada para ser mantido
Os últimos cabos lutam débeis
escorregando pelos cabeços de ferrugem...
O temor finalmente tem seus véus falidos
Desnudo e perdido
sente a absurda força da Presença
e parte apavorado
Não posso mais permanecer
Navego de novo pela primeira vez

Sérgio Gomes