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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Feng Shui X Espiritualidade.


Não podemos desvincular Feng Shui de espiritualidade. As próprias origens do Feng Shui estão ligadas a filosofias religiosas e espiritualistas como os conhecimentos xamânicos e principalmente o Taoísmo. Mas não podemos associar Feng Shui à religião, no sentido convencional dado a esta palavra. Na visão de grandes mestres espiritualistas como Kabir, Krishnamurti, Tilopa, Osho, etc., religião é vida, movimento, transformação. Quando as religiões se transformam num conjunto de dogmas e rituais, tornam-se mortas. Para estes mestres, o homem religioso é aquele que não cultiva apegos, vive em harmonia, está aberto e receptivo para o novo, flui com a vida, como um rio. O Mestre indiano Osho, diz: “A palavra religião tem que ser entendida. Ela é expressiva: significa juntar as partes de modo que elas deixem de serem partes e se tornem o TODO. Cada parte deve se juntar ao TODO, em União. Cada parte, separada, está morta. Unidas, uma nova qualidade aparece - a qualidade do TODO - o TAO. Levar essa qualidade à sua vida é o propósito da religião.”
Assim, religiosidade é estar integrado ao todo: homem, natureza, cosmo, pássaros, pedras, rios, montanhas. A própria etimologia da palavra confirma este conceito: Religião (do latim: "religio" usado na Vulgata, que significa “ligar novamente", ou simplesmente "religar"). Então, a religião é o que conduz o homem de volta a um sentimento de integração, auxiliando-o a se religar e se tornar parte de uma mesma e única energia.
Quando se estuda mais profundamente os fundamentos do Feng Shui, chega-se a estes conceitos: a energia, embora com formas diversas, é uma só. O homem e o cosmos estão numa interação permanente. Então, podemos dizer que os fundamentos do Feng Shui estão embasados numa profunda religiosidade, embora estejam muito longe de se constituir numa religião.
Feng Shui não é religião, mas sua essência e sua prática expressam a verdadeira religiosidade na medida em que procura integrar as diferentes energias e tem a dimensão de que tudo está absolutamente interligado, interagindo e se modificando, numa verdadeira dança cósmica.
As Cinco Transformações: Madeira, Fogo, Terra, Metal e Água, por exemplo, dependem mutuamente uma da outra, estão numa relação constante, influenciando uma a outra e são fases da mesma energia. Não é por acaso que os mestres de Feng Shui afirmam: a melhor cura para uma energia é outra energia e não objetos. Para curar o Qi de um local precisamos contrapor o Qi doente (ex: estrela #5) com o seu oposto, o Qi saudável (exemplo estrela #8). No método Xuan Kong Fei Xing, as estrelas são consideradas também espíritos, entidades e os mestres de Feng Shui afirmam que as cinco transformações citadas anteriormente também são espíritos. Há também quem afirme que fazendo determinados agrados às estrelas problemáticas, elas respondem satisfatoriamente. Exemplo: o Imperador, estrela #5, ofertando-lhe objetos bonitos como uma coroa, por exemplo, o Qi da estrela #5, se acalma e não perturba.
Portanto, no sentido convencional de Religião, Feng Shui não é religião, também não é esoterismo, nem uma opção alternativa, ou bruxaria, já que não se utiliza de dogmas e rituais que possam classificá-lo como qualquer uma destas definições. Mas, no sentido elevado desta palavra, Feng Shui tem tudo a ver com Religiosidade e Espiritualidade, pois na sua essência, estão contidos os conceitos mais profundos de espiritualidade e Religião.
Na nossa prática como consultores, verificamos que quando interferimos no sentido de alterar padrões de energia de um determinado imóvel, fatos e comportamentos que se repetiam constantemente deixam de se repetir. Aliás, a gente sempre se pergunta: se a qualidade do Qi esta sempre mudando, porque em determinados imóveis os acontecimentos se repetem por anos a fio? Sabemos que seres humanos podem ficar presos em círculos viciosos de comportamentos repetitivos. Esse comportamento pode representar diferentes versões. Por exemplo, um casal que não consegue sair do círculo vicioso de brigas e agressões. Quando esta relação evolui para algo mais pesado como, por exemplo, um assassinato, dizemos: era o seu carma. Uma mudança no Qi do ambiente onde este casal dormia, vivia e brigava constantemente, pode ser o impulso para libertá-los do seu círculo (roda de samsara) e atirá-lo novamente para dentro do movimento espiral, que conduz à evolução.
Um consultor de Feng Shui tem a habilidade de fornecer este impulso necessário para transformar um círculo numa espiral, utilizando-se de forma consciente e correta da prática do Feng Shui, desde que, é claro, as pessoas envolvidas manifestem o desejo de sair desta roda viva.
Pois bem, aqui chegamos ao ponto crucial, tema desta edição: Feng Shui e Espiritualidade. Quando um consultor, através das suas percepções e conhecimentos de Feng Shui ou Quatro Pilares do Destino, faz as interferências corretas no ambiente e nas orientações para as pessoas, está ajudando-as a deixarem de repetir padrões viciados e antigos e a saírem do ciclo da repetição sem fim...
Por isso Feng Shui tem a ver com espiritualidade, porque busca a harmonia em todas as suas formas e propulsiona as pessoas a deixarem a repetição. Afinal, espiritualidade é principalmente evolução. E só há evolução quando abandonamos velhos padrões para buscar a harmonia e abraçar a instigante e desafiadora aventura de se lançar no novo. ***

Edma Ribeiro Pacheco - Consultora de Feng Shui Tradicional