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terça-feira, 6 de abril de 2010

A cor preta e o elemento Água.

E a história do preto começa no Gênesis: “E no princípio era o caos...” e o caos era negro, porque depois Deus disse: “E faça-se a luz...” e apareceu a luz e, com ela, as cores.

Sobre o preto há inúmeros ângulos a serem observados. Visto pelo ângulo da física, o preto é a ausência da cor, ou seja, ele absorve todas as cores e não reflete nenhuma. Para nós ocidentais o negro está então associado à idéia da ausência de cor, do nada, do vazio. É muito difícil imaginar o estado energético do nada. Esquecemos que o negro está no princípio de tudo, é o contraponto do branco (a união de todas as cores), é seu oposto complementar. E tem sua força característica.

Como os antigos possuíam uma percepção muito mais aguçada pelo contato com a natureza, eles captaram esse conhecimento e passaram a utilizá-lo. Muitas religiões vestem de preto seus sacerdotes, por acreditarem que vestidos dessa cor eles estão protegidos de eventuais energias não desejadas na hora de cultos, batismos, enterros, bênçãos etc. Nas religiões afro-brasileiras, que mantêm outro tipo de relação diferente com dimensões da energia, a cor mais usada é o branco.

Como no Ocidente normalmente não se deseja contato com espíritos dos mortos, para o luto também foi instituído o preto. Ele teria o dom de barrar as energias, não permitindo nenhum contato, e de simbolizar nossa tristeza. Quanto ao luto ser branco em alguns países orientais e culturas indígenas, observei que seus rituais espirituais são abertos ao contato com os antepassados. Banquetes e festas ocorrem junto aos túmulos, pois estes povos fazem questão de manter esse contato.

Da mesma forma como o escuro pode ser assustador ou aconchegante, o preto também encerra seus paradoxos. No Ocidente, é visto ao mesmo tempo como símbolo de tristeza e de elegância, de poder. Na moda, o preto consegue ser simultaneamente discreto, chique ou sexy, dependendo de quem o veste, como, quando, onde e para quem é usado. Isso o torna uma “cor”. Deve-se, porém ter a consciência da impenetrabilidade do preto. Por isso é uma cor adequada para enfrentarmos ambientes hostis, onde sentimos necessidade de proteção.

Quanto à decoração, o preto normalmente é usado para apenas alguns detalhes no mobiliário ou como fundo para realçar alguma peça rara. A cor em si não é usada com freqüência nas paredes porque escureceria o ambiente e exigiria uma quantidade de iluminação muito maior do que cor mais clara ou viva. Quanto à sua influência psicológica sobre as pessoas naquele ambiente, o preto continua mais associado ao mórbido que ao vivaz.

Baseada em conhecimentos milenares dos chineses, a Escola Tempo-Espaço do Feng Shui usa a cor preta e os tons escuros de azul como representação do elemento Água, uma das cinco fases de energia presentes num ambiente. O preto nesse caso pode ser usado para harmonizar um ambiente, como um remédio. No corpo humano, o preto-água está associado à bexiga e aos rins, os grandes filtros do organismo, e aos órgãos sexuais, que afinal desencadeiam o processo de continuação da existência humana.

Publicado na Revista Bons Fluidos de Junho/2001